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Metaverso? Nós estamos lá te esperando

Criamos Eva, Eva Vaz de Almeida, o nosso primeiro avatar no multiverso Decentraland. Conheça o nosso posicionamento.
 

Por Paulo Reganin, editor.

 
Foi notícia, em 2007, que um escritório de São Paulo «abriu» uma sede na plataforma Second Life, um jogo-experiência criado em 2003 que simulava a projeção da vida real em um ambiente virtual, por meio de avatares.

Havia, entretanto, uma contingência dupla: a tecnologia da época e a proposta da plataforma tinham, por limitação técnica e por conceito, o anonimato. O anonimato, aliás, era a chave para que seus participantes pudessem experimentar o apelo de uma «segunda vida», diferente de sua vida real. Baseado no anonimato, não se fazia necessária uma tecnologia de certificação digital pessoal dos jogadores e, por conta disso, não era possível atestar a autenticidade de suas identidades, representadas por seus avatares.

A base tecnológica
Naquela época, o posicionamento daquele escritório paulistano não foi aprovado pelo Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) que, examinando todos os fatores em jogo, julgou a iniciativa temerária. Mas é importante deixar claro, a OAB não formulou um juízo ético reprovando o escritório, bem-intencionado, mas sobre as condições precárias daquela tecnologia, incapaz de assegurar a identidade dos advogados e dos clientes e, ao mesmo tempo, guardar a discrição e a privacidade dos negócios.

Desde 1991 já se falavam das primeiras iniciativas precursoras da blockchain, mas foi em 2008, um ano depois da iniciativa do escritório paulista que «abriu» a sua sede na Second Life, que a blockchain se tornou uma realidade. A blockchain superou a limitação tecnológica que comprometia a certificação da autenticidade das identidades, tornando possível a segurança do registro do histórico de todas as ações dos usuários e a certificação de suas identidades.

Os metaversos
Esse salto tornou possível os metaversos ― é mais apropriado falar no plural ―, realidades virtuais coletivas experimentáveis, por meio de dispositivos digitais, permitindo a interação entre seus usuários, representados por seus avatares, assegurando aos seus participantes, se estiverem interessados, a certificação da autenticidade de suas identidades e no registro de suas ações ou operações.

Quase 20 anos depois do Second Life, as interações entre as pessoas e entre as organizações já estão acontecendo nos metaversos. Eles são muitos e, só para deixar registrado, a Meta, de Mark Zuckerberg, não é o metaverso e sim um metaverso.

Grandes corporações já se fizeram presentes e estão estabelecendo relações econômicas por meio de seus avatares.

Quanto a nós, somos uma presença no Decentraland ― um dos metaversos mais promissores que conhecemos ― desde 12 fevereiro de 2021, quando o escritório completou 20 anos, e não temos notícia de que outro escritório de advocacia no Brasil tenha feito isso antes, embora seja bastante plausível.

Metaverso? Nós estamos lá te esperando
Depois de um ano de testes e ensaios, nossa experiência, uma iniciativa do nosso Núcleo de Comunicação, apoiado pela equipe de Tecnologia, ultrapassou todas as nossas expectativas. Apenas para dar alguns exemplos, celebramos o primeiro ano da Eva, no último dia 4 (fevereiro de 2021), por meio dela, fazendo amigos em um pub no saguão de um portal, visitando uma loja conceito da Samsung e apreciando obras de arte exclusivas numa galeria da Soho ― tudo bastante real, em nossa opinião.

Negócios, vida cultural, relacionamentos. Hoje em dia, interagimos frequentemente com pessoas de toda parte e testemunhamos suas experiências. Para nós, não se trata de uma ação de marketing jurídico. Nós estamos realmente presentes no metaverso e já o exploramos, até aqui discretamente, em algumas de suas dimensões.

É importante ficar claro, o nosso movimento não foi, nem de longe, o de «construir uma filial» de Vaz de Almeida Advogados e estender nossas operações nesse campo, por meio de criptomoedas. Julgamos que é preciso amadurecer um pouco mais esse tema, entre nós, mas não temos dúvidas, é preciso nos fazermos presentes ― e isso, acreditamos, temos o dever de fazê-lo. Onde quer que as pessoas estejam, onde quer que as pessoas cultivem suas relações e, inevitavelmente, experimentem os conflitos e as controvérsias, aí deve estar o Direito. Ubi Societas, Ibi Jus.

Além disso, muitos de nossos clientes já estão lá. Seria uma omissão não fazer o mesmo.

As controvérsias existem
Claro, nós reconhecemos: há inúmeras questões em jogo no metaverso. A dignidade, a liberdade, a propriedade; a livre manifestação do pensamento e a vedação ao anonimato; a proteção à atividade intelectual, artística, científica e a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem ― temas, no Brasil, de natureza jurídica constitucional e em nossa perspectiva, a principal razão técnica para estarmos lá.

E os Estados? As autoridades governamentais? Como se farão presentes? Em quais termos será possível regulamentar as relações econômicas e sociais? E o acesso à Justiça e a definição das competências jurisdicionais numa realidade multidimensional? Todos sabemos muito pouco.

Estamos apenas no início
Foi especialmente por isso que criamos a Eva. Ao invés de conjecturas, preconceitos e receios, é preciso ser uma presença, explorar os metaversos e as sinapses que vão construir entre si. É necessário testemunharmos sua evolução, interagir com as pessoas, se conectar. Com a Eva, podemos explorar com propriedade essa nova realidade, conhecer as novas formas de interação e relações humanas e a evolução dos novos mercados e modelos de negócio.

Não temos dúvida alguma: devíamos isso aos nossos clientes e assim o fizemos.

Mas, claro, continuamos preferindo apertar as suas mãos.
 
 
 
Paulo Bernecule Reganin, copydesk e editor do Portal Insight, é responsável pela gestão da Marca e pela comunicação corporativa. Advogado com formação em antropologia e filosofia, Paulo é apaixonado pelas artes e faz a direção criativa dos meios e canais de comunicação, a assessoria de comunicação dos sócios e a documentação do modelo de governança. Sua redação narra o conceito e a cultura organizacional do escritório desde 2004.
 

 
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Vaz de Almeida

VAZ DE ALMEIDA ADVOGADOS é um escritório independente, dedicado ao suporte legal às companhias estrangeiras no Brasil e às empresas brasileiras instaladas no país e no exterior. Nosso propósito é desobstruir as barreiras que comprometem o tempo e a energia dos executivos, liberando-os para se concentrarem no trabalho que realmente importa: superar as expectativas de seus acionistas.